Inteligência Artificial na Literatura: A IA pode substituir o escritor de verdade?
A moda agora é falar em Inteligência Artificial (IA). Todo mundo quer se tornar o moderninho que utiliza a IA nos seus negócios. Há alguns anos, dizia-se que ela seria um perigo para a humanidade, agora todos querem se valer dela em seus negócios. A história é sempre a mesma: primeiro, o susto; depois, a gente se acostuma e incorpora ao dia a dia. E assim segue a ciência trazendo mais e mais novidades a fim de fazermos exatamente as mesmas coisas de sempre, porém de um modo diferente.
O primeiro estrago realizado pela Inteligência Artificial foi suprimir empregos, justamente na época em que o número de terráqueos está aumentando. Que contrassenso. A prioridade, realmente, não são as pessoas. Ah, mas abre outras novas vagas de empregos. Sim, para aqueles que estão nascendo. Quem é adulto e perdeu o emprego que se lasque e dê um jeito de sobreviver. Se, pelo menos, essas transformações ocorressem em intervalos de tempo maiores, quem sabe, daria um fôlego pra gente.
Profissionalmente trabalho com música e literatura, dois campos diretamente afetados pela Inteligência Artificial. Por isso, quase todos os dias, alguém me alfineta dizendo que, em breve, ela me substituirá. Dou de ombros, mas opino sem mágoa: “A Inteligência Artificial criará e formará o maior número de mentirosos por metro quadrado que já se viu nesta Terra. Serão pessoas que nunca escreveram uma redação, mentindo, pelo resto das suas vidas, que são escritoras, e gente que não sabe o que é um ‘dó maior’ se passando por compositor”. E daqui a pouco serão mentirosos em escala industrial, pois a Inteligência Artificial já está avançando gulosamente pra cima da pintura, da escultura, da propaganda, dos filmes, das invenções… A cruzada para aniquilar os verdadeiros artistas está a todo vapor.
Isso me faz lembrar das muitas vezes que me convidaram para ser ghostwriter (“escritor fantasma”, alguém que escreve um livro, mas é outra pessoa que assina como autor). Minha resposta sempre foi: “Não posso. Eu não gosto de pensar que você, meu irmão de fé, terá que mentir pelo resto da sua vida sustentando que escreveu algo que de fato não escreveu”. E tem gente que acha ruim eu dizer isso, sabia?
Por se tratar de irmãos, saco a Bíblia e já lanço os versículos: “O Senhor detesta lábios mentirosos” (Provérbios 12.22a); “Seis coisas o Senhor Deus odeia: (…), língua mentirosa, (…), coração que faz planos perversos, (…), testemunha falsa que profere mentiras” (Provérbios 6.16-19). E arremato com palavras do próprio Jesus, em João 8.44: “Vocês são do Diabo, que é o pai de vocês, e querem satisfazer os desejos dele. Ele foi assassino desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”. Se a pessoa não aceitar a verdade é porque não é convertida; simples assim.
Já me perguntaram também se um dia utilizarei a Inteligência Artificial em minhas atividades. Não pretendo. Quero e sempre serei do tipo analógico – não porque sou contra tecnologias –, mas porque não gostaria que me fosse arrancado o prazer de brigar e brincar com as palavras e com as notas musicais, arando a terra da imaginação até encontrar uma valiosa inspiração.
Por fim, gostaria de parabenizar quem inventou o termo “artificial” para a expressão Inteligência Artificial. Foi muito pertinente. Artificial significa “cópia, falso, imitação, dissimulado, fingido”. Certíssimo! É isso que a Inteligência Artificial é: uma falsária, fingida, dissimulada, uma pirata que tenta me substituir, mas não conseguirá jamais. Eu sou humano, criado à semelhança de quem me criou. Inteligência Artificial tem fôlego de vida? Não tem? Então, nem escuto!


