Sou jornalista de formação e confesso que ultimamente ando decepcionado com a minha classe. No meio do trigo tem surgido “jornalistas joio”, que descaradamente trocam suas convicções por dinheiro. Alguém dirá que esse é o jogo da profissão. Opa! Existem jogos e jogos! Comunicação é coisa séria e, indiretamente, mata mais do que guerras.
A meu ver, a comunicação tem culpa direta no aumento da violência, dos suicídios, do tráfico de drogas, enfim, dos problemas que assolam a sociedade atual. Para provar isso poderia “inventar” estatísticas, como fazem alguns, mas não vou. Nem precisa. A partir de simples observações você concluirá que a comunicação, de fato, mais atrapalha que ajuda.
O número de suicídios aumentou porque todo dia se fala nisso nos noticiários? Sim. As aberrações sexuais aumentaram, porque diariamente se fala nisso nos jornais? Sim. O feminicídio aumentou? Sim. Precisa mais? Sendo a propaganda a alma do negócio, a regra se aplica praticamente a todos os males: suicídios, vícios, feminicídios, tráfico de drogas, rebeliões de presos, etc.
Em toda minha vida, nunca vi tanta reportagem sobre drogas como nos dias de hoje. Os jornalistas “gênios” mostram a rota das drogas, os lugares de compra, o preço médio, ideias de onde esconder e como burlar os fiscais. Não preciso mais sair de casa para aprender “tudo” sobre corrupção e centenas de outros lixos. Antes, a “escola” de coisas ruins era apenas os filmes e as novelas. Hoje, o jornalismo faz isso muito melhor, e ilustrando com fatos.
A desculpa é “informar” (e muitos acreditam que é isso mesmo). Mentira. A mídia está é “diplomando” todo tipo de gente boa e gente má, quando faz apologia disfarçada de informação. Jornalistas estão, indiretamente, induzindo pessoas à depressão e ao suicídio. E não tapemos o sol com a peneira. Enquanto pessoas boas veem essas notícias desnecessariamente detalhadas e se estressam, as pessoas ruins anotam tudo pra não esquecer. A comunicação, portanto, tornou-se parceira de malucos. Por isso, creio que os jornalistas necessitam rever seus conceitos, deixar o sensacionalismo de lado, equilibrar as informações e analisar o que deve e o que não deve ser propagado. Que busquem mostrar o que é bom. Infelizmente, o povo foi levado a crer na falsa ideia de que notícias ruins são mais interessantes. As pessoas gostam de ouvir notícias boas. O apóstolo Paulo tem uma sugestão: “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, NISSO PENSAI” (Filipenses 4.8,9). Quando falamos de coisas boas, retiramos o espaço das ruins. Quando a luz entra, as trevas saem! Jornalistas precisam colocar isso em prática. Infelizmente, ninguém ensina isso na faculdade. Que pena!


